quarta-feira, 13 de junho de 2012

Meu...

Nem sempre consigo compreender com facilidade algumas situações, isso não gera angustia, mas uma batalha interna para superar o dissabor de contestar, de repreender o contexto e procurar impedir que em diferentes circunstancias se mate desejos.
Questões…muitas questões que partem de raizes… profundas como as da Vitória Régia que engana os desavisados, que acreditam que ela bóia solta nas águas. Suas raizes profundas e grossas as mantem presas ao lodo e apesar de torná-las fortes e resistentes as mantem sempre no mesmo lugar.

Cora Coralina

Desistir?
Já pensei nisso, mas nunca me levei a sério. É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço em minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estradas no meu coração do que medo na minha cabeça."

(Autor desconhecido. Epígrafe do trabalho: "Cora Coralina, raízes de Aninha", de Clóvis Carvalho e Rita Elisa Seda).

Do mundo de dentro ...

 Eu calculadamente revi os passos, dimensionei as ações e não encontrei meios de calar esse grito.  Por vezes essa idéia de ser amigo perturba o caos em que vivo. Caos da minha pura falta de rotina, caos da minha pura rotina rígida. Dos horários que não permito atrasar, dos meus tempos de pensar que não permito fugir. Caos da minha entrega intensa a maternagem das minhas crias.
Meu tempo de penso é tão frequente que me jogo nos minutos saboreando as idéias e reconstruindo as histórias para borbulhar questões e ao promover tormentas descobrir saidas.
Mas essa idéia de ser amigo me aflige quando eu nem sempre consigo responder as mensagens, quando nem sempre eu devolvo as ligações e me prometo um momento de papo pro ar a semanas sem que eu mesma possa cumprir.
Por vezes peço paciencia a mim mesma não pela solidão que semeio, mas por em vários momentos escolher apenas assistir ! 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Somos o que pensamos...

Nós somos o que pensamos. Construimos redes de pensamentos que nutrem nossas atitudes, mesmo que contraponham nossos desejos.
Estranho pensar dessa forma, mas movidos pelo medo, deixamos que ele nos domine e passamos necessariamente a ser aquilo que mais tememos. De tanto nos apontar cansados, lamuriosos e estressados perdemos a cor e o colorido do mundo, nos entregamos a crença e quase que profeticamente não vemos mais a doçura de um dia que amanhece lentamente em nossas janelas.
De tanto nos apontar sozinhos, consumidos pela solidão nos entregamos ao vazio, sem perceber que nossa companhia pode nos fazer descobrir o que há de melhor naquilo que somos.
Entregues ao medo nos impedimos de sonhar e nos tornamos intensos adivinhadores do que não vai dar certo.   Como se pudéssemos prever o futuro e dimensionar detalhes do sentimento do outro, nos impedimos de descobrir o outro em seus códigos, peculiaridades, diferenças, simplesmente, prevemos. Como adivinhadores dessa vida não mais nos entregamos e na egide do controle somos apenas personagem daquilo que vivemos.
Na medida em que autorizamos viver um segundo de cada vez sem que para isso tenhamos que lançar mão das racionais estatísticas que compõe nossa vida, nos permitimos descobrir   a essencia de nossas atitudes , o escondido de nós mesmos e a sutileza dos nossos pensamentos.

domingo, 27 de maio de 2012

Des(a)tinos

Menina alada, sai da minha janela. Descobre o mundo e entrega sua casca na saída. Deixa a carne inteira, intensa, entregue. Te faz única enquanto aquela que escolhe, deseja. Põe o manto que te cobre de lado e permita-se. Permita-se ser aquela que viaja no tempo, aquela que percorre o vento, que de forma singular apenas é !
Sai menina alada da minha janela. Voa longe da imagem que te escora. Brinca com aquilo que des-cobre. Da doçura ao veneno; da sabedoria a loucura; da lascivia a secura, do medo, do gozo, do gosto, do cheiro.    Apenas voa !

sábado, 12 de maio de 2012

Nossa estréia no semáforo !

João já usa o banco da frente e como um absoluto navegador, me dá as coordenadas das ruas , dos buracos, das bicicletas e motos que insistem em trafegar desorientadas. Transito é algo que configura a identidade do coletivo. Viabiliza regras e nos permite dividir com o outro um espaço comum. Tão interressante analisar o quanto uma mudança de placa altera o passeio, modifica o trajeto e cria outras possibilidades de paisagem.
Quando cheguei a Cacoal há alguns anos atrás sofri para compreender as mãos das ruas, haviam poucas placas de sinalização. Cheguei a me questionar quando percebia que as pessoas faziam uso do espaço público com uma autonomia que gerava o autogoverno (rs...). Muitas vezes me deparava com as pessoas -carro que transitam pela via sem sinalização, ou melhor, sem que se possa desviar delas a tempo de não pensar no objetivo de andarem pelo meio da rua. Cacoal, sempre teve um movimento de baixa velocidade o que permitia que as pessoas conduzissem o transito a seu bel prazer. Aos poucos o impacto das faixas de pedestre foram dando lugar a uma série de mudanças de comportamento, do bom ao ruim: vi gente brigando para atravessar a rua com motoqueiros velozes fingindo não perceber a indicação; vi crianças desistindo de atravessar na faixa, pois os pais os esperam distantes delas; vi gente sendo atropelada em vias onde um único carro parou na faixa.
Com o passar dos dias foram sendo erguidos como monumentos ao progresso os semáforos...enormes, altivos, cheios de pompa e informações.
Desligados, calados, foram dando ar de dúvida a quem insistia em parar entre dois cruzamentos devido as novas faixas de pedestre.
Desligados, calados foram motivo de perturbação quando motoristas reduziam a velocidade e geravam instabilidade no fluxo, tudo isso , para decifrar todas as informações que o compõe. 
Desligados, calados com a retirada das faixas de pedestres em frente a escola e na ausencia da placa de PARE, foram motivo de aumento da velocidade, o que provocou ansiedade nas crianças que já haviam se habituado a atravessar na faixa. Detalhe: vários condutores de veiculos paravam diante da escola mesmo na ausencia da faixa. Vários, mas não todos oq ue gerava ainda mais ansiedade. Enfim... Hoje eles foram ligados. São lindos. Meu marido diria que tenho essa mania feminina de ver beleza nas coisas ... rs.  Eu e João ansiosos por ver as luzes que compõe esse novo cenário - indicativo de progresso - fomos ao centro da cidade. 
Experimentamos todos. Parecem infinitos esses três meninos. Ancoras de uma cidade em crescimento. Mas restam apontamentos de quem prevê a incerteza. O exercício do semáforo vai além de pé na embreagem, envolve o compromisso com o outro. Torna viva a idéia de respeito ao coletivo e nos faz experenciar intensamente a relação de grupo. Será que estamos preparados para tanto ?
Na dúvida tenho pensado em soluções práticas de como buscar o João na escola já que as pessoas tem aumentado a velocidade na rua da escola logo após o semáforo e, ainda frente a sinalização indicada não há como estacionar veiculos. 
João pensando me sugeriu : De duas uma mãe ou você me iça direto da sala de aula ou minha escola logo, logo, vai ter heliporto (?). João é realmente dado ao progresso e na altura dos nove anos tem soluções rápidas...rs...         


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Gente igual, mas diferente...

Fui dessas meninas que entregue as prórpias vontades descobria as respostas dos desafios, acreditava que brincar ia além daquilo que estava escrito na caixa dos jogos. Fui dessas meninas que olhava os adultos de perto para poder enxergar aquilo que estava escrito em seus olhos.
Ler o mundo colorido nunca foi difícil, mesmo quando decifrar sentimentos novos gerava medo e incerteza. Fui dessas meninas que nas histórias com final feliz procurava questionar. Acredito que me ensinaram os pontos de interrogação antes de me mostrar os pontos finais.
Hoje, quando o João dramaticamente disse dentro do carro: Você tem que me ajudar a entender por que quando me falam que todo mundo é igual me vem uma dúvida tão grande...Eu, na tentativa de compreender o que ele queria dizer... pedi que me falasse mais do que estava sentindo.
Na altura dos seus nove anos foi me explicar que podemos ser iguais, mas ninguém sente igual ao outro as coisas que acontecem. Sentir é sentir... todo mundo tem olho, boca, descobre o mundo, mãe, mas sentir é sentir- quase gritando !  
Eu disse que somos iguais, mas diferentes. Iguais naquilo que nos constitue, mas diferentes naquilo que podemos escolher enquanto sujeitos das nossas ações. Sentir é mesmo muito intenso,único, especial e não dá para sentir igual a ninguém. Não devemos nos acreditar superiores a ponto de julgar a dor, nem a intensidade dela, a raiva ou o medo de alguém como detentores de um limiar único.
Ter sido essa menina me permite autorizar o João a acreditar que cada um é um e que podemos sentir do nosso jeito cada coisa do mundo. Escolher o que vamos ser e como vamos agir é a tonica para nossa inserção no mundo.
Fico preocupada com essa nossa tendencia de acreditar que ao dizer que somos todos iguais estamos facilitando a compreensão em relação ao outro. Diferenciar não significar distanciar ou discriminar, mas apontar que nas diferenças nos formamos e individualizamos. Pode ser angustiante para a criança ficar procurando no outro características e habilidades que não fazem eco em sua identidade. Estar atento a isso permite que possamos ter clareza do desenho que nos compõe e não simplesmente o modelo que nos norteou.