Passei a semana toda pensando, ruminando idéias... construindo... O meu silêncio , as vezes se faz necessário para que eu possa organizar o mundo de dentro e re-(com)-por as coisas no lugar. Afeto é uma coisa interessante bagunça, desorganiza, desfaz e refaz a ordem da vida, mas chega um momento que organizar é essencial para seguir em frente !
domingo, 15 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Remexendo as gavetas...
Ontem mexendo nas minhas gavetas encontrei um papel enrolado , antigo, daqueles que ficam escondidos da memória racional, mas são presentes na memória emocional.
Uma poesia que ganhei de um professor de Geografia, disfarçada de bilhetinho de amigo secreto. Eu devia ter uns 11 anos, menina falante, cheia de interrogações acerca da vida. Com pressa de descobrir, com imensa vontade de saber.
Vim lhe Dizer...
A realização de um ideal,
Não é vinda do nada
Não é tida de graça,
Ouse por querer...
Deseje e permita acontecer.
E se nos sobressaltos da vida tiver medo,
Permaneça.
Entregue-se e permita que diante das suas escolhas
você atenda você... ( A. Cabral)
Mal sabe ele que li e reli essa poesia em muitos momentos da minha vida. Antes do vestibular, diante da banca da minha dissertação de mestrado. Mal sabe ele que apesar de na altura dos onze anos eu não estar preparda para compreender a mensagem, ele se fez sempre presente.
Importante pensar o quanto palavras podem gerar saltos. Um abraço pode conduzir a mudança. Uma bronca pode propor um novo caminho, enfim podemos fazer a diferença.
Resolvi colocar a poesia na bolsa, não como amuleto, mas quem sabe já é momento de presentear alguém.
domingo, 8 de maio de 2011
FELIZ DIA DAS MÃES !!!
Mãe obrigado pela forma com que existe em nossas vidas ... tua existencia te faz única.Tua força te faz exemplo. A mágica que propõe quando simplesmente acredita com fé em seus propósitos é que fortalece seu sorriso e acalenta a ternura de teu abraço.
Sinto muito sua falta e gostaria de estar perto para rir das nossas coisas, para contar das nossas vidas, para simplesmente, fazer uma xícara de café durar a tarde toda !
Te amo infinitamente !
Feliz Dia das Mães a Todas as Mães, Tias, Avós, Bisavós , Mães de Coração, Mães da Vida... Um abraço !
Sinto muito sua falta e gostaria de estar perto para rir das nossas coisas, para contar das nossas vidas, para simplesmente, fazer uma xícara de café durar a tarde toda !
Te amo infinitamente !
Feliz Dia das Mães a Todas as Mães, Tias, Avós, Bisavós , Mães de Coração, Mães da Vida... Um abraço !
Arquivo pessoal
sábado, 7 de maio de 2011
Soneca da tarde...
Deitei no sofá da sala como há muito não fazia. Reuni as mulheres da minha familia e comecei a desenhar nossa conversa. Algumas falam de um amor in-tenso, da dificuldade de se entregar. Outras do policiamento diante do sentir. Mulher que sente muito, fica mole... essa idéia de ser que não pode ser frágil, explica muito os mecanismos que muitas de nós criou: ser independente, ter autonomia e resolver.
Mulher resolvida e posicionada foi minha avó que tinha sua casa como o porto seguro dos filhos, dos amigos dos filhos e que engrossava a sopa com a xepa da feira. Eu ria com ela quando contava as pessoas que iam sentar ao redor da mesa, sempre havia um prato a mais ou dois dependendo do dia da semana. Ela trazia no coração a percepção aguçada das feras que defendem suas crias. Rompia conceitos quando os médicos diziam que ela não podia querer outros bebês. Para quem não podia, teve 08, vingaram 05. Alguns nasceram na sala de casa, outros no próprio quarto, na cama em que também dormiram seus netos e bisnetos. Era menina que pintava as unhas de rosa mas, mulher que acreditava na força das palavras, no poder de cura do próprio desejo. Plantou em mim a crença no desejo, a essencia da intuição.
Quando sentou ao meu lado minha outra avó, órfã, criada por pessoas distantes da propria família abrigava no peito o desejo de ser feliz, tinha histórias inventadas na ponta da lingua. Uma conversa mineira de quem queria provar a verdade. Apesar do pouco conhecimento esbanjava sabedoria nas análises em relação as pessoas. Enquanto descascava laranjas , sentada na mesa da cozinha palavreava idéias, propunha sonhos e acreditava que família grande é o maior empreendimento da vida. Observadora, miúda, via nos olhos dos outros respostas que muitas vezes não eram ouvidas , nem compreendidas. Plantou em mim a vontade de compreender o outro, de olhar por dentro. Coisa que ela sempre dizia - conhecer por fora é experiencia fácil, por dentro é uma vida inteira.
Quando as bisas vieram, vi diante de mim a pausa, o silencio de quem conduzia a vida mesmo na adversidade. Com muitos filhos davam aos homens a condição necessária ao trabalho e às mulheres o poder de ação de quem teria que administrar uma familia. Sabiam fazer do restinho do almoço um belo jantar. Mulheres de opinião formada que com sutileza conquistavam seu espaço. Tenho treinado as pausas...
Quando minha mãe chegou, rompeu cedo os limites da própria familia, viu no estudo a possibilidade de crescer. Menina bonita, tinha mais medo do pai no final da rua, do que do escuro que tinha que atravessar na volta da escola. Afeto sempre foi seu motor, nos gestos simples, no contato carinhoso, na mania de amar a vida. Nunca a ouvi reclamar, me lembro sempre da sua vontade de superar. Trouxe para casa a primeira geladeira e ao dirigir seu Fusca Azul, levava as salas de aula como alguém que desbravava o mundo. Tem a fé como sua mola propulsora, traz no corpo a responsabilidade de acertar. Não teve chances de rascunhos e redefinições. No original construiu sua força ! O peso da sua exigência a torna atenta, detalhista, segura. Plantou em mim o afeto, a vontade de seguir sempre. Me fez segura frente aos desafios.
Tocar nessas mulheres, encontrar com elas me deu a chance de construir uma referencia de feminino. Um dia quem sabe sentemos na mesma mesa para perceber as conquistas e desafios vividos por cada uma de nós para perceber o legado construido na essencia do feminino. Me fiz menina, me tornei mulher, mãe ...

Conversas com João...
Ontem João fez uma apresentação de Teatro na Escola. A peça apresentava diferentes cenas de mães. Perfis engraçados do cotidiano, imagens que no dia a dia repetimos. Ele era filho de uma mãe totalmente complacente. Carregava seu skate no braço, um boné para trás, calça jeans rasgada. Aprontava artes de criança e a mãe apenas elogiava e divertia-se com ele.
Ao final da peça nós dois no carro, resolvemos conversar. Ele me perguntou se eu havia gostado e antes que eu pudesse responder disse que eu não sou igual a mãe da peça, mas também me divirto com ele. Contou que ele não gostou do que seu personagem fazia e que talvez escolhesse um castigo -"prá valer", afinal, o menino fazia coisas bem ruins. Falou ainda que ficaria muito triste se eu o proibisse de abrir os brinquedos para ver como funcionam, de construir suas coisas e de às vezes pintar o corpo com guache. Não iria gostar se eu jogasse todas as caixas de papelão fora e o proibisse de usar a tesoura. Que acha bem legal a gente conversar loucamente e que se irrita por eu ser meio explicadinha. Explicadinha no domínio dele tem a ver com o fato de eu querer explicar tudo e também querer que ele explique. Ainda disse que muitas vezes nós dois somos parceiros e que quando ele não consegue escolher o que fazer na tarefa ou em situações esquisitas ele sabe que pode pedir minha ajuda e isso é bem legal ! Ganhei essa conversa de presente !
Entendi que muitas vezes, como peço que ele fale e argumente em relação à suas escolhas ele se sente meio cansado, talvez até pressionado. Também percebi que nossa proximidade nos torna companheiros. Apesar de viver questionando os caminhos que escolho como mãe, me vi feliz !
Arquivo Pessoal
sexta-feira, 6 de maio de 2011
...
“Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. É uma vitória secreta, sem testemunhas. O adversário somos nós mesmos.....”
- Martha Medeiros -

Foto : Internet
Reflexões...
Saimos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos ?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos... Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.
O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair: - literalmente ficar desatento; é um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é : " oque vamos fazer hoje ?", já marcada pela ansiedade.
E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.
Quem ganha tempo, por definição perde. Quem mata tempo fere-se mortalmente. É esse o grande radical livre que envelhece nossa alegria- o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.Em tempos de novo milenio , vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que dá sentido à caminhada.
A prática espiritual deste milenio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.
Que a brisa suave sopre em suas costas, sempre que necessitar de um afago, de um abraçlo, de um beijo e que Deus, possa guardar todos nós, para que possamos compreender a liberdade de escolha. Livres para poder escolher entre as variáveis e oportunidades davida, exatamente as opções que levarão a felicidade.
Jairo de Paula
Foto: Internet
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