Quando eu comecei a dançar sabia que a repetição e o esforço eram essenciais para o aprendizado.
Fui aluna aplicada e por muitos anos me entreguei a dança como o espaço do meu repouso, da minha possibilidade de viver a mágica, de promover no corpo a emoção.

Quando cheguei a Cacoal, fui tomada pelo trabalho, pelo calor, pelas mudanças propostas no caminho da minha vida.
Me distanciei da dança, não havia espaço para transbordar a emoção que não fossem as inúmeras salas de aula por onde passei. Mas faltava. Estava manca. Sentia que travava.
Fiquei surpresa, quando recebi um convite de alguém que não conhecia. Rapidamente nos tornamos amigos. Ele não usa palavras , mas fala com os olhos. Traduz seus desejos com a intensidade de seus gestos.
Me conectou a dança e me mostrou que os caminhos que escolhemos para propor a emoção não podem, nem devem se esgotar. Me fez bailarina de novo!


