sexta-feira, 6 de maio de 2011

Pessoa ...

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

(Fernando Pessoa)



 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Para Pensar...

Qual foi a última vez que você ficou doido?
Pra você, esta pergunta parece coisa de “doido”?
Pode até parecer... Mas o que as pessoas não sabem é que podemos estar doidos sem ao menos termos noção disto. Diz o popular, que todo doido não sabe que é doido!
Saindo da brincadeira e falando de coisa séria, muitas vezes ficamos endoidecidos com tantas dores que sofremos: abandonos, traições, perdas, abusos, desvalorizações, pressões, cobranças... Pra cada dor que sentimos e não conseguimos tolerar, ficamos doídos e doidos. Ou seja, a dor pode ter sido muito difícil de tolerar ou vice-versa, a tolerância pra aquela dor ter sido muito pequena, que ficou difícil lidar com a realidade. Daí a criação de mundos paralelos que se apresentam pra cada um de uma forma.
“Cada doido com sua mania...”
Tem pessoas que entram num processo de compulsão, como forma de não fazer contato com aquela dor que lhe deixa doído. Compram muito, bebem muito, trabalham muito, comem muito. Tem aqueles que se deprimem, brigando com o real. Por exemplo, uma pessoa que não suporta a dor de ter sido traída e resolve brigar com a vida, como se estivesse dizendo: daqui pra frente também não faço mais nada !! Esta depressão pode manifestar de uma forma mental : rumina muito sobre o que aconteceu; fala repetidamente a todos sobre a injustiça que a vida lhe causou. A dor vira sofrimento e não acaba nunca. Tem outras pessoas que manifestam sua depressão ou briga com a vida, de uma forma muito emocional e infantil: choram muito, ficam frágeis demais, abandonando de vez a vida e o real. Tornam-se vítimas e dependentes, criando uma forma de viver ou sobreviver baseado na tristeza. Nutrem o sofrimento e nunca saem da dor.
O que fazer então pra lidar com as dores, sem ficar tão doído e doido?
Podando a nossa plantação de vaidade e orgulho e cultivando mais a humildade. A humildade nos leva a sermos somente “seres humanos” que estão nesta vida pra amar, ganhar, perder, sofrer, crescer, cair, levantar. A vida flui, pulsa, sobe e desce. Devemos entrar neste ritmo da vida e pra cada dor e descompasso, nos curvarmos humildemente, percebendo que é mais uma lição que faz parte do nosso processo evolutivo. A gente gostando ou não...
Quando a vida nos causa dor, claro que deprimimos, angustiamos e brigamos com o real e com a vida. O que não podemos é ficar neste embate permanente com a vida, querendo vencê-la. Tolice nossa... A vida é infinitamente mais poderosa!
Precisamos respeitar a vida e saber que realmente nós seres humanos quando não aprendemos através do amor, a dor vem e nos dá uma lição. Assim, a dor (nossa e do outro) serve pra nos chacoalhar, nos cutucar e nos empurrar pra frente. As pessoas que fazem bom uso de sua dor ficam doídas e doidas sim. Mas só por um tempo. Aos poucos ela passa a fazer bom uso dessa dor, criando, mudando, transformando, ajudando...E aí a dor cumpriu sua função.
Precisamos ser amigos de nossas dores, tanto quanto somos de nossas alegrias. Só assim a nossa dor e “doideira” se torna algo digno de ser visto e apreciado.

Texto :  Psicóloga Jaqueline Cássia de Oliveira dez/2006 (Informativo Interagindo)

Fábula da Convivência

Amo muito o que faço... e tenho visto nossas dificuldades em aprender a com-viver...viver com o outro, na sua diversidade, na sua singularidade, em suas especificidades. Notadamente, nos tornamos espinhentos ou espinhados, quando o grande segredo está em sobreviver apesar dos espinhos ! Resolvi compartilhar a fábula ! 


Durante uma era glacial muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram o frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil.
Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro.
E todos juntos, bem unidos agasalhavam-se mutuamente. Aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos. Justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte.
E afastaram-se , feridos, magoados e sofridos. Dispersaram-se por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doía muito ...
Mas, essa não foi a melhor solução : afastados, separados, logo começaram a morrer congelados.
Os que não morreram, voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções e delicadezas , de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro. Era mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar e sem causar danos recíprocos.
Assim conviveram , resistindo a longa era glacial. Sobreviveram !!!


terça-feira, 3 de maio de 2011

Na casca...

O medo de encarar-se como sujeito que tem necessidades, vontades e, especialmente, desejos torna-te menina, que se autoriza  cheia de manha não escolher para si, não se responsabilizar por essas escolhas e brincar de viver. Encarar a vida seria sublime já que carrega em seu potencial notáveis valores. Enquanto menina que brinca vive frágil a espreita como quem  não se permite o além do que vê.
Te espero fora da casca para que possamos num café dizer das coisas da vida, com a doçura de quem se torna responsável por si mesma !   
Foto: Internet

domingo, 1 de maio de 2011

Um pouquinho da Elis...

Enquanto houver amor,
Abra as portas, todas deste quarto
Deixa o mundo e o sol entrar (Elis Regina)

Elis Regina
Foto: Internet
 
O texto é antigo...daqueles que ficam perdidos nas pastas...rs... mas resolvi dar uma olhada e trazer para cá.
Cresci ouvindo Elis pelas vozes do meu pai que insistia em cantarolar antes do almoço, na hora do jantar ou nos espaços que sobravam entre um assunto e outro.Ele não nos dava muita alternativa em relação ao que ouvir. Minha mãe com a voz mais contida, colocava os Lps, na vitrola e não cansávamos em repetir os versos de Luiza, de Alo Alo Marciano e de Como Nossos Pais. Impresso nos gestos: os sentimentos de amor, de afeto. Sensível, me tornei  emoção. Me fiz menina e supunha entender que as emoções nos conduzem e se tornam expressas quando assumimos o que sentimos. Aprendi que chorar faz parte da alegria como da tristeza. Que faz mal segurar o choro. Entendi que quando nos permitimos sentir, somos fiéis a nós mesmos, sem permitir os filtros sociais que impõem regras de boa conduta.   
Nesse sentido, as formas de autorizar aqueles que construiram muralhas nos próprios sentimentos está na possibilidade de se entregar a ouvir a sensação, ler a dor e a alegria, tornar-se sensível a respiração, as pausas e, com isso, aprender a deixar transbordar ao menos o choro.
Explico isso sempre quando proponho a mudança de pergunta - Como você está ? é diferente de Como você se sente ? 
Deixar-se ao sabor da percepção das relações e ponderar o equilibrio entre a razão e a emoção permite o necessário auto conhecimento. 

Sorry - desabafo...

"Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo o que plantamos." (Provérbio Chinês)

Não sei se vou conseguir traduzir o que sinto, mas se faz necessário pelo menos tentar. No contexto em que vivemos, muitas vezes, me deparo com o estar alheio, não pertencente... vou tentar explicar. Não pontuo entre aqueles que se gostam simplesmente pela forma de vestir, não compactuo  com o falar de bocas cerradas como forma de evitar que a pessoa de quem se fala perceba. Não treinei leitura labial ! Tenho dificuldade em manter o que denominam repertório social, com a egide de networking. Não consigo comer, não consigo sorrir, perco as palavras e me torno alheia, distante. Desnecessária, minha opinião não é questionada. Aprendi a não falar e muda, sou paisagem.  Quando meu pensamento parece transbordar pelos olhos, que aflitos percorrem o ambiente na tentativa de encontrar um eixo, alguém com quem se possa apenas partilhar o que é de verdade, real, ânima, inteiro, do eu.  Não consigo, admirar alguém sem demosntrar. Reprovar um ato sem analisar ambos os lados. E a idéia de que para se posicionar é necessário escolher um lado e defendê-lo cegamente, me perturba. Vejo sempre a possibilidade de interagir, integrar, de posicionar-se sem cerrar a oportunidade de mudar conceitos, rever valores e re-descobrir a verdade. 
A minha falta de entrega nessas situações me fazem crer que a solidão tem sido mesmo escolha minha !
Sorry !!!!



Aprendi - CHARLES CHAPLIN

Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões
para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto. Aprendi
que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que
não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las. Aprendi que posso passar
anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso
usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou
falando. Eu aprendi... Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por
isso o resto da vida.
Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão
continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso
caminho. Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que
quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos
limites que eu próprio coloquei. Aprendi que preciso escolher entre controlar
meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem
o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que
sentem. Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de
mim, mas não consegue expressar isso. Aprendi... Que nos momentos mais difíceis
a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as
coisas. Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não
tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus
sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse
convencê-la disso. Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em
quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser
perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro. Aprendi que, não importa
o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.
Eu
aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu
sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto. Aprendi que numa briga eu
preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que,
quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas
pessoas não discutem não significa que elas se amem. Aprendi que por mais que eu
queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte
da vida. Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas,
por causa de gente que eu nunca vi antes
. Aprendi também que diplomas na parede
não me fazem mais respeitável ou mais sábio. Aprendi que as palavras de amor
perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para
guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos. Aprendi que certas
pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos
retê-las para sempre. Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser
gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.
Tua caminhada ainda não terminou
... A realidade te acolhe dizendo que pela
frente o horizonte da vida necessita de tuas palavras e do teu silêncio. Se
amanhã sentires saudades, lembra-te da fantasia e sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo jamais conseguirão obter, porque é uma
vitória que surge da paz e não do ressentimento. É certo que irás encontrar
situações tempestuosas novamente, mas haverá de ver sempre o lado bom da chuva
que cai e não a faceta do raio que destrói. Se não consegues entender que o céu
deve estar dentro de ti, é inútil buscá-lo acima das nuvens e ao lado das
estrelas. Por mais que tenhas errado e erres, para ti haverá sempre esperança,
enquanto te envergonhares de teus erros. Tu és jovem. Atender a quem te chama é
belo, lutar por quem te rejeita é quase chegar a perfeição. A juventude precisa
de sonhos e se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa da água
que rola e o coração necessita de afeto. Não faças do amanhã o sinônimo de
nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram! Olhes
para trás... mas vá em frente pois há muitos que precisam que chegues para
poderem seguir-te.



Foto: Internet